terça-feira, 6 de maio de 2008

...conto de fadas ao contrário...

Era uma vez uma menina que sonhava muito. Sonhava alto. Estudou, batalhou e estava trabalhando onde queria. Onde ela queria naquele momento. Ganhava bem e adorava comprar. Roupas, sapatos, perfumes, maquiagens, tudo de grife de preferência, e sempre com o seu dinheiro. Aí ela arrumou o namorado perfeito. Eles se davam bem, ele tinha um futuro brilhante pela frente. As famílias se adoravam e as coisas corriam como ela queria. Namoraram bastante tempo . Depois se mudaram para um apartamento com uma vista linda pra cidade e uma decoração de revista.
E ela começou a planejar o casamento. Uma festa com tudo aquilo que tinha direito. Vestido de princesa (clean, por favor), festa de arromba, cardápio sofisticado, DJ da moda, 300 convidados e um ano de organização. Ele concordou. Era a festa dela. Dos sonhos de criança. E tinha tantas revistas de noiva e festa pra comprar, tanta coisa pra escolher e decidir que ela meio que parou de pensar nele. No cara que vivia com ela, com quem ela iria casar. Ela parou um pouco e pensou que não sabia o que ele queria. E, com certeza, ele não queria tudo isso. Mas ela nunca tinha ouvido de verdade. Também começou a ter dúvidas sobre o que, realmente, importava pra ela. E foi aí, bem nesse momento, que ela teve um estalo e entendeu que casamento não é uma festa. Não era a festa dela. Pra casar tinha que estar apaixonada. E ela descobriu que não estava. Descobriu que estava pensando tanto nela, que não sabia direito o que era amar alguém.
A menina percebeu que as coisas não eram tão fáceis como ela pensava. Ela viu que tinha roupas de todos os tipos, sapatos e maquiagens pra dar e vender, mas não tinha nenhum centavo guardado. Não tinha nenhuma coisa que era só dela. Carro pra quê? Ela sempre tinha carona. O apartamento era alugado. Depois de trabalhar cinco anos ganhando um salário de dar inveja, ela não tinha nada. Nada além das roupas, sapatos e alguns móveis que não combinavam mais em nenhum lugar.
E só pra complicar mais um pouco, apareceu um moço. Diferente. Dela e da maioria das pessoas que conhecia. Ele não fazia a barba, detestava cortar o cabelo, não ligava pra grife nenhuma, usava chinelo de hippie e calça larga. Ela olhou e, sem entender por que, achou lindo. Ele tocava violão de olhos fechados, tinha covinhas e sabia falar as palavras certas, ou palavras que pareciam erradas, mas, pra ela, faziam todo o sentido do mundo. Ele parecia livre. E ela perdeu o chão por que achou que ser livre era muito mais interessante do que ter uma vida de comercial de cartão de crédito.
Ela descobriu que estava perdida no meio daquela vida que pra todo mundo, parecia quase perfeita. E estava começando a entender quem era. Ela queria ser livre. Poder sentir tudo sem limites. E ela foi. Largou tudo e resolveu começar de novo. Ela não podia mais comprar todas as coisas que queria. Gastou com mudanças, dividiu os móveis da casa e percebeu que ela podia ter comprado só um pouquinho menos de roupas e guardado algum dinheiro.
Teve sorte também. Sem esperar, contou com ajuda de amigos, que ofereceram casa, comida e roupa lavada quando ela não sabia pra onde ir, nem o que fazer ainda. Depois morou sozinha e viu o quanto é difícil se organizar e ser independente. Dividiu a casa com algumas amigas e viu que se já não é nada fácil conviver com os seus próprios defeitos, mais complicado ainda é conviver com os defeitos e problemas dos outros. Se decepcionou, caiu e se quebrou em pedacinhos várias vezes. De repente, tudo tinha ficado difícil.
Mas, nesse meio tempo, ela também viveu uma história linda com o moço do violão. Uma história cheia de música, sensações e sentimentos que nenhum dos dois conhecia. Era tudo colorido, com direito a frio na barriga e beijos de perder o ar. Assim, igualzinho nos filmes. Só que não tinha meio termo. Era tudo muito intenso. Ou muito bom, ou muito ruim.
E além da confusão da cabeça dos dois, a vida tratou de complicar mais um pouquinho. Além do turbilhão de emoções, eles passaram por alguns dos momentos mais difíceis que alguém pode ter. Coisas que doeram de matar, que não têm explicação. Coisas que fizeram a menina entender que a gente pode ter tudo na vida, mas sem saúde e sem as pessoas que a gente ama por perto, fica bem difícil viver. Ela percebeu o quanto dói ver pessoas queridas sofrerem e o quanto é frustrante ser impotente diante de algumas situações que a vida impõe. Eles se ajudaram, sofreram e aprenderam. Depois se separaram.
O moço foi embora. Mas ela ficou e decidiu reescrever a sua história. Depois de mais uma dúzia de novas decepções e outros vários erros que ela cometeu, a menina descobriu que, aquela lá, do começo, era só um esboço da protagonista que ela queria ser. Aquela menina que gostava de roupas caras, baladas e namorados perfeitos é agora uma mulher simples. Que adora se arrumar, ficar bonita e não gasta mais rios de dinheiro pra isso. Ela ainda arruma o cabelo, adora passar lápis preto no olho, não vive sem rímel e blush. Mas acredita que a beleza está na simplicidade e na felicidade de se aceitar como é.
Ela descobriu que não sonha com uma festa de casamento de arromba. Ela não quer nem casamento, muito menos festa com buffet. Ela quer festa sem motivo. Rir com os amigos. Ela quer alguém que tire o chão dos seus pés. Que goste de coisas bobas e mulheres complicadas.
Alguém que acredite em conto de fadas, mas que seja realista também. Que adore noites estreladas... A lua. E que entenda quanta poesia existe nas coisas simples. Alguém que goste de surpresas. Que não tenha medo (por que ela tem muito medo às vezes).
Ela quer parar de se preocupar e rir até a barriga doer quando achar que não tem outro jeito. Chorar junto com alguém quando sentir vontade. Ela quer sentir os cheiros do mundo. O gosto das coisas, das pessoas...Confessar segredos absurdos. Ela quer uma casa cheia de árvores. Grama e terra pra andar descalça. Com vários cachorros. Jardim e lago.
Quem ela quer, é alguém que acredite, como ela, que um dia tudo vai dar certo. No fundo ela sabe, que se as coisas não acontecerem do jeito que ela sonha agora, podem acontecer de um jeito ainda melhor. Por que a história dessa mulher, ainda não chegou nem na segunda página.

7 comentários:

Anônimo disse...

Mas que história mais linda essa...quem é essa menina???
Bjooooooooo!

...Mari Calza... disse...

hummmm... segredo. rsrsrs E vc, quem é o anônimo??? Bjo tb

Clau disse...

Ahh, Má!!

Q lindo...bom, particularmente, conheço essa história...e, como tenho a personalidade muuito parecida com a dessa menina, sei que faria tudo igual, do mesmo jeito...porque a felicidade muitas vezes está nas coisas mais simples, bem ali, pertinho, e a gente tem mania de complicar...rs. Muito bom descobrir que a felicidade não está diretamente vinculada ao glamour, fama, dinheiro, grifes...mas sim às pessoas que transformam nossas vidas com um simples gesto, um ombro amigo, um olhar...lindo o texto!!!Amei, como sempre!!

Ahh, vou postar sim!!!!!!Estou em falta com o blog mesmo...rs...

Saudades tb, bjs!

Giuliana disse...

Oi Mari
Adorei o texto!
Como escrevi no meu blog, ainda bem que temos o dia seguinte né? Assim podemos sempre recomeçar, podemos desistir e escolher um novo caminho e sempre aprender com tudo que vai sendo deixado para trás. Além da história linda que vamos contruindo!
Beijos Mari!

Gica disse...

adorei o texto Má..é bem isso q acontece qdo a gente cai na real,q nem td é do jeito q a gente imaginou...adorei mesmo!!!
beijokas

Anônimo disse...

Adorei a historia se parece muito comigo......as coisas nem sempre acontecem como o planejado....esquecemos que existem pessoas ao nosso redor...e pensamos so na gente

Luiza disse...

eu xchorei muito com essa historia ela não sabia que o amor vinha antes de td nessa vida