sexta-feira, 17 de julho de 2009

... perto do mar ela não está só...

O mundo está se tornando um lugar cada vez mais solitário. Os psicólogos e psiquiatras estão cheios de trabalho, as pessoas vivem estressadas, com depressão, síndrome do pânico e milhares de outras coisas que pra mim têm só uma explicação: a solidão. Uma série de circunstâncias e atitudes nos fazem sozinhos. O trabalho nos ocupa demais, os sonhos parecem estar muito longe, falta dinheiro, falta paciência. As amizades se tornaram superficiais, romance virou brega.
São tantos problemas que o coração cansa. E a gente começa a racionalizar tudo. Pára de acreditar. E se convence de que o amor só serve de inspiração para filósofos, poetas, músicos e escritoras de meia tigela como eu. Quando a gente sofre, tudo o que mais espera é a chegada desse momento. Aquele em que a gente começa a enxergar as coisas mais claramente e toma um tapa na cara da realidade. Aí, pára de acreditar. Pára de esperar que as coisas aconteçam. Pára de fingir que está tudo bem.
Eu posso dizer que já amei demais. Fui amada demais. E não estou falando no bom sentido. Era um amor que não cabia. Não cabia e doía. Difícil de entender. Então, quer dizer que amor não basta? Não. Definitivamente não basta. E, além disso, amor demais faz mal. Faz a gente perder o controle. Esquecer quem a gente é. E se perder no meio do sentimento. Não é a toa que um dia esse amor transbordou. E acabou escorrendo pelo ralo no meio de tantos problemas. E pasmem, entendi que isso não era amor.
Depois de sofrer, me perder, ficar sem saber quem eu era, me encontrei dentro do caos. Vi que inventar amores e casos não era pra mim. Beijos sem dia seguinte também não. Sabe qual é a verdade? Quando a gente consegue se encontrar sozinha, estamos prontas e abertas para um amor de verdade. Que entenda o nosso mundo louco cheio de compromissos. E que tenha o seu lugarzinho especial dentro da gente. Nem mais, nem menos. É um encaixe quase perfeito dentro da vida.
Amar demais não dá. Não existe. Não pode ser certo amar alguém mais do que a si mesmo. Vai ver que além de cheque especial, cartão de crédito e trabalho, o amor também precise de limites. Mas os sonhos não. Eu quero mais do que um amor bonito. Meu amor tem que caber dentro de mim. Dentro da minha vida. Dos meus sonhos, dos meus planos e dos meus problemas. Quero ser feliz.Quero ser inteira e não a metade de alguém.
E mesmo assim, quando tudo parece encaixado, não tem problema quando as peças saem do lugar. O amor é livre. De vez em quando é bom, de vez em quando é difícil. E é preciso coragem pra deixar de ser sozinha quando a tristeza passa. O mundo tá cheio de gente. Gente legal, inteligente, linda e sozinha. Sabe-se lá porque. Os motivos são muitos. Às vezes essas pessoas só estão de olhos fechados. Quando abrirem irão ver que pode ter muita gente por perto querendo fazer parte dos seus dias. De várias formas. Afinal, ninguém gosta de ser sozinho. Quem diz que gosta é louco ou está mentindo. Todo mundo merece acreditar de novo. Ser livre como é o amor. Ter liberdade pra ser brega, romântico, bobo... E estar nem aí pro resto do mundo.

11 comentários:

Thais França disse...

Exato. Amor demais transborda e se transborda... é fake. As fases pós amor fake não são fáceis, mas logo alguém nos sopra aos ouvidos ''tell me when you open your eyes'' e tudo pode ser diferente. Eu já soprei a música no ouvido de alguém (literalmente), mas o encanto acabou, era fake também. Então, além de abrir os olhos descobri que é preciso abrí-los, mas não fazer questão de ver, mas de sentir e engolir duro, pq pode ser que sim, mas pode ser que não. É o grande mistério da vida, a incerteza sempre.

♥ Janinha ♥ disse...

Adorei Mari!!!
As vezes tu parece saber tanto sobre tudo.
Faz-me sentir bem pensar que vou me achar loguinho.
Acho que tu ta certa quando diz que o amor tem que caber na gente, não pode ser maior nem menor, porque ae nos perdemos de nós mesmos, e nada pior do que vagar por aí tentando se encontrar, isso pode demorar e em alguns casos nem acontece...

Bela reflexão, gostei de verdade!

Beeijokas

Seems to be Isy disse...

mari que lindo!!e aí, vc melhorou?
tá se cuidando?

vc surpreendendo sempre com seus textos..
adorei.e serve para mim tbm..
eu não quero mais ser sozinhaaaa
eu quero minha metade pertinho de mim...e se eu não puder ter a metade que eu quero, que rolou pra longe..eu quero achar um meio novo, pra me fazer inteira de novo!

beijooos
veja meu blog..
postagem sobre os vinhos

Renata disse...

Pensei tantas coisas diferentes enquanto lia seu post. Coisas de mim, coisas de dentro. E no fim das contas não sei bem o que comentar, nem sobre o que. Acho que me perdi dentro de mim mesma. Você me perdoa?

Anônimo disse...

oi minha amiga a-ma-da! Oooooooo amore... hoje, vou ter que discordar de voce! Amor nunca é demais! Sempre amei de mais e quero amar demais até ficar velhinha que só! Amo até quem não amo mais... sempre me joguei e me entreguei e mesmo quando errei ou me arrependi nunca foi por amar demais. E sei o quanto voce é intensa, assim como eu... espero que mude de ideia em breve rs
te amo, mesmo assim!! Voce é minha irmã loira, de coração!
beijokas, saudades!

alessandra resende disse...

ameii...

tudo o que é necessário para se ler e se entender. Tambem agora quero ser inteira.!
bjosxx e brilhe sempre

Juliana. disse...

Não sei o que você faz da vida, nem sei como vc foi parar no meu blog.
Mas eu adorei o seu. Vou passar sempre por aqui! =]

Abraços...

Cláudia Linck disse...

Nossa.. tu tirou um monte de palavras da minha boca.. eu quase vi uma história antiga minha ai, nas tuas linhas. É bem por ai, amor demais, transbordando, inunda tudo, fica um saco. Não sobra nada das nossas "configurações originais", que são os prováveis motivos que fizeram o outro apaixonar-se por ti. E dai que vem a obceção, né? Enfim.. coisa boa são esses textos que fazem a gente pensar em mil coisas!

Agora a parte publicitária: to concorrendo no Top Blog.. tem o selo ali no meu blog pra votar em mim.. se tu achar válida a ação, ficarei muito grata!

Até mais!
Beijinhos :*

Maria Carolina M. Conci disse...

Oi, estava passeando por uns blogs e me deparei com o teu.
E me identifiquei muito com esse teu último texto. Sobre existir muita gente interessante em volta de nós e não nos damos conta do que essas pessoas sentem por nós, pois estamos de olhos fechados.. ou vice-versa.
Gostei dos teus textos e pelo visto serei frequente aqui hahaha.
Se quiser visitar o meu blog: http://carolconci.blogspot.com/

Beijo, Carol

Seems to be Isy disse...

nossa mari q jornalista mais desatualizada vc está me saindo
saudades dos seus posts romanticos-existencialistas-lindos!

beijoos

prima da renata disse...

é, eu sou louca. Gosto dos meus momentos de sozinha mas não exclusivamente deles.
ieu