E a gente se acostuma tanto que não vê coisas que estão ao nosso lado. Comigo foi assim. Ele estava ali faz tempo. Mas por alguma razão estranha eu não tinha percebido. Não sei se faltava o alinhamento correto dos planetas, como ele diz. Ou se faltava aquele momento onde a gente vê as coisas com clareza, aquele estalo. Enfim... Não dá pra entender como ele podia estar lá e eu não ter visto. Porque ele não tem medo de mim. Não interpreta errado as minhas frases bobas. Me entende e acredita. Não gosta de nada mais ou menos. Gosta de rock, bares e cerveja. Ele gosta de praia, trilhas, palavras simples e meninas complexas. É viciado em café e em comprar CDs. E, além de tudo, tem cheiro de perfume italiano. Tudo bem que não tem chocolate na casa dele. Nem fogão. Dá pra acreditar numa casa sem fogão? Mas tudo bem. Ele me sentiu. Sim, é isso mesmo. SENTIU. Me chamou de linda, criticou minhas unhas de menino e me fez querer ser mulherzinha. A ponto de achar lindo ele abrir a porta do carro. Como assim? Justo eu???
Eu sei que as coisas nem sempre dão certo, mas a gente tem que ousar e desafiar a razão. A verdade é que eu tô aqui pra sentir. Então, dane-se a razão. O que eu sinto agora é que quero estar com ele. Agora. Depois?? Deixa o Universo decidir.