Hoje o dia nasceu frio. Nublado e cinza. No trabalho: bagunça. Estranhamente o cheiro da tinta me faz lembrar daquele cheiro de praia. Acho que se morasse perto do mar, as coisas seriam mais fáceis. Talvez fosse viciada em endorfina e não precisaria nunca tomar remédios para dormir. Adoraria o sol e não teria mais essa cor de escritório. Andaria mais descalça, usaria menos maquiagem e salto alto. Precisaria comprar menos roupa e talvez nem me preocupasse muito em ganhar dinheiro. Se vivesse com o pé na areia acho que seria menos ansiosa. Meus medos seriam todos engolidos assim como uma onda engole a outra. No final do dia, meus problemas sumiriam conforme a maré. Ia me sentir mais bonita, mais feliz e mais mulher. Usaria brincos de hippie e aposentaria a calça social, já que eu estaria chique de short e havaianas. Meus vários óculos escuros teriam uma função social. Ouvir rock me daria a calma de uma bossa nova.Eu iria fazer coisas normais como ir ao mercado, tomar banho e cozinhar de um jeito mais divertido. A cerveja seria mais gelada. Eu seria uma pessoa do dia, sem insônia. Iria dormir leve, como se não existissem os barulhos do mundo.Mas agora eu estou com pressa. O asfalto me cansa, olhar o computador o dia todo me estressa. Queria que o meu mundo tivesse gosto de azul e sal. Com momentos perfeitos e uma paz que inunda. Eu, ele, o sol, o mar, meu caderninho, caneta e uma inspiração que não tem fim.Cheguei à conclusão de que eu sou o mar. Inconstante. Intenso. Não nasci para a terra firme. Quero seguir à deriva, ser levada pela maré. Sentir a areia quente, o sol batendo no rosto com a brisa fria. E estar tranqüila por fora mesmo com um turbilhão de coisas acontecendo aqui dentro.
...As palavras existem para serem ditas, e escritas. Então escrevo para me sentir livre, forte e corajosa. Não tenho medo delas e nem do fato de que, uma vez escritas, as palavras vão estar sempre ali. Isso me faz sentir coisas intraduzíveis. E tudo isso aqui é meu. Tomei posse de todas as letras aqui escritas. Boas? Ruins? Depende de quem as lê. E quer saber a verdade? Não importa. São minhas...
terça-feira, 25 de agosto de 2009
... Meu mundo pintado de azul...
Hoje o dia nasceu frio. Nublado e cinza. No trabalho: bagunça. Estranhamente o cheiro da tinta me faz lembrar daquele cheiro de praia. Acho que se morasse perto do mar, as coisas seriam mais fáceis. Talvez fosse viciada em endorfina e não precisaria nunca tomar remédios para dormir. Adoraria o sol e não teria mais essa cor de escritório. Andaria mais descalça, usaria menos maquiagem e salto alto. Precisaria comprar menos roupa e talvez nem me preocupasse muito em ganhar dinheiro. Se vivesse com o pé na areia acho que seria menos ansiosa. Meus medos seriam todos engolidos assim como uma onda engole a outra. No final do dia, meus problemas sumiriam conforme a maré. Ia me sentir mais bonita, mais feliz e mais mulher. Usaria brincos de hippie e aposentaria a calça social, já que eu estaria chique de short e havaianas. Meus vários óculos escuros teriam uma função social. Ouvir rock me daria a calma de uma bossa nova.Eu iria fazer coisas normais como ir ao mercado, tomar banho e cozinhar de um jeito mais divertido. A cerveja seria mais gelada. Eu seria uma pessoa do dia, sem insônia. Iria dormir leve, como se não existissem os barulhos do mundo.Mas agora eu estou com pressa. O asfalto me cansa, olhar o computador o dia todo me estressa. Queria que o meu mundo tivesse gosto de azul e sal. Com momentos perfeitos e uma paz que inunda. Eu, ele, o sol, o mar, meu caderninho, caneta e uma inspiração que não tem fim.Cheguei à conclusão de que eu sou o mar. Inconstante. Intenso. Não nasci para a terra firme. Quero seguir à deriva, ser levada pela maré. Sentir a areia quente, o sol batendo no rosto com a brisa fria. E estar tranqüila por fora mesmo com um turbilhão de coisas acontecendo aqui dentro.
sexta-feira, 17 de julho de 2009
O mundo está se tornando um lugar cada vez mais solitário. Os psicólogos e psiquiatras estão cheios de trabalho, as pessoas vivem estressadas, com depressão, síndrome do pânico e milhares de outras coisas que pra mim têm só uma explicação: a solidão. Uma série de circunstâncias e atitudes nos fazem sozinhos. O trabalho nos ocupa demais, os sonhos parecem estar muito longe, falta dinheiro, falta paciência. As amizades se tornaram superficiais, romance virou brega. São tantos problemas que o coração cansa. E a gente começa a racionalizar tudo. Pára de acreditar. E se convence de que o amor só serve de inspiração para filósofos, poetas, músicos e escritoras de meia tigela como eu. Quando a gente sofre, tudo o que mais espera é a chegada desse momento. Aquele em que a gente começa a enxergar as coisas mais claramente e toma um tapa na cara da realidade. Aí, pára de acreditar. Pára de esperar que as coisas aconteçam. Pára de fingir que está tudo bem.Eu posso dizer que já amei demais. Fui amada demais. E não estou falando no bom sentido. Era um amor que não cabia. Não cabia e doía. Difícil de entender. Então, quer dizer que amor não basta? Não. Definitivamente não basta. E, além disso, amor demais faz mal. Faz a gente perder o controle. Esquecer quem a gente é. E se perder no meio do sentimento. Não é a toa que um dia esse amor transbordou. E acabou escorrendo pelo ralo no meio de tantos problemas. E pasmem, entendi que isso não era amor.Depois de sofrer, me perder, ficar sem saber quem eu era, me encontrei dentro do caos. Vi que inventar amores e casos não era pra mim. Beijos sem dia seguinte também não. Sabe qual é a verdade? Quando a gente consegue se encontrar sozinha, estamos prontas e abertas para um amor de verdade. Que entenda o nosso mundo louco cheio de compromissos. E que tenha o seu lugarzinho especial dentro da gente. Nem mais, nem menos. É um encaixe quase perfeito dentro da vida. Amar demais não dá. Não existe. Não pode ser certo amar alguém mais do que a si mesmo. Vai ver que além de cheque especial, cartão de crédito e trabalho, o amor também precise de limites. Mas os sonhos não. Eu quero mais do que um amor bonito. Meu amor tem que caber dentro de mim. Dentro da minha vida. Dos meus sonhos, dos meus planos e dos meus problemas. Quero ser feliz.Quero ser inteira e não a metade de alguém.
E mesmo assim, quando tudo parece encaixado, não tem problema quando as peças saem do lugar. O amor é livre. De vez em quando é bom, de vez em quando é difícil. E é preciso coragem pra deixar de ser sozinha quando a tristeza passa. O mundo tá cheio de gente. Gente legal, inteligente, linda e sozinha. Sabe-se lá porque. Os motivos são muitos. Às vezes essas pessoas só estão de olhos fechados. Quando abrirem irão ver que pode ter muita gente por perto querendo fazer parte dos seus dias. De várias formas. Afinal, ninguém gosta de ser sozinho. Quem diz que gosta é louco ou está mentindo. Todo mundo merece acreditar de novo. Ser livre como é o amor. Ter liberdade pra ser brega, romântico, bobo... E estar nem aí pro resto do mundo.
quarta-feira, 15 de julho de 2009
O que cabe em um ano?
12 meses, 365 dias, 8.760 horas... Uma mudança, duas casas, mesmo emprego... Milhares de beijos, várias brigas e iguais reconciliações... Dezenas de maratonas de Lost, cerca de 50 garrafas de vinho, 40 de keep cooler, sei-lá-quantas mil cervejas e muitos gramas de tremoço... Algumas-muitas noites mal dormidas com um “cachorrinho” ciumento que insiste em ficar ali, bem no meio da cama... Muitos sonhos e planos... Um fim, um recomeço e o meu primeiro vaso de tulipas vermelhas...
Tenho que admitir que ainda não sei muita coisa que preciso saber para ser a namorada do meu namorado e assim formarmos um casal, digamos, como deve ser. Já aprendi a levantar de muitos tombos diferentes, aprendi a dar com a cara na porta e continuar andando, aprendi a sonhar, a chorar quando os sonhos se desfazem e que pra isso existe rímel a prova d’água e corretivo. Agora tenho um probleminha. Faltou aprender a ser feliz. Mas eu não tenho medo. Nem de ser feliz e nem de aprender. Estou aprendendo a crescer, a fazer planos, a não ter medo do futuro e da estabilidade. Olha, não vou dizer que é fácil. Eu não sou fácil. Digamos que ele também não seja. Mas estamos aqui. Hoje, nossas confusões e contradições já têm muitas certezas. E ainda temos a vida toda pela frente.
quinta-feira, 25 de junho de 2009
Foto: http://www.dinagoldstein.com/Logo que aprendi a ler ganhei minha primeira coleção de livros. Eram todos coloridos, cheios de detalhes e desenhos elaborados. Tinha a história da cachinhos dourados, Rapunzel, Cinderela, Branca de Neve, Bela Adormecida... Eu lia e acreditava em finais felizes. Mas não entendia porque era tão difícil. Elas eram lindas, loiras, cantavam bem e sofriam o tempo todo, até a última página.Mas os finais... Eu adorava. Não sabia nada sobre o amor, mas achava que, com certeza, devia ser alguma coisa mágica. E que ele só chegava para os puros de coração. Assim como aquelas princesas. Todas puras, altruístas, doces e perfeitas. Aí eu cresci. Li vários outros livros e conheci muitas histórias. O tempo foi passando e, mesmo depois de muitas desilusões e tapas na cara da realidade, eu tive a certeza que achei estar perdida lá na minha infância. O amor é realmente mágico. Afinal, eu não tenho a pureza das princesas. Não sou doce. Muito menos perfeita. Eu fujo, faço mil besteiras e mesmo sem esperar o amor me encontra. Assim como eu, as princesas de hoje tropeçam, caem, se machucam e prometem nunca mais se apaixonar. As princesas de hoje não acreditam mais em contos de fadas. Elas não querem mais encontrar um príncipe, nem chegar de carruagem na igreja, casar e viver feliz pra sempre. Elas não têm só uma história pra contar. Têm várias. Muitas pessoas, amigos, amores. As princesas de hoje têm que trabalhar. Se cuidar. Ninguém nasce com os lábios rubros como a rosa, cabelos lisos, loiros e escovados, pele fina como a de um bebê e um corpo naturalmente perfeito. Temos que fazer academia, dieta, limpeza de pele, cortar os cabelos, usar maquiagem... E como não existe maquiagem para o coração, as princesas de hoje carregam muitas cicatrizes. É verdade que estes machucados as fizeram fortes. Elas aprendem a usar escudos, espadas e se colocam numa torre sem a imposição de uma bruxa. Elas estão lá por vontade própria, ou por cansaço talvez. Ou ainda por falta de espaço para novas cicatrizes. Mas no fundo, bem lá no fundo, elas esperam um resgate. Não do príncipe. Elas querem de volta aquela menina que acreditava na pureza e na magia do amor. Aquela menina que está perdida em algum lugar dentro delas. Muitos anos depois de ter conhecido os contos de fadas, eu ainda não sei muito sobre o amor. Acredito que não exista definição para ele, muito menos explicação. E não é que quando eu achava que tinha perdido a capacidade de sentir, de acreditar em histórias românticas e finais felizes, me peguei escolhendo fotos de bolos de casamento? Isso só pode ser mágica!
segunda-feira, 22 de junho de 2009
... aqui é a vida real...
Em alguns momentos a gente percebe que vida real mete mais medo do que qualquer filme de terror (essa metáfora vale para mim, é lógico, que tenho medo de qualquer filminho). Assusta mesmo. Mas demora pouco até percebermos o quanto um susto pode ser bom na vida da gente. O quanto uma mudança repentina pode trazer coisas boas. Coisas novas. O quanto é bom errar. Não ser perfeita. Não ser o as pessoas esperam de você. Não poder prever as coisas. Eu sou desorganizada. Gastona. Não sou apegada a dinheiro, mas eu sei que preciso dele. Gosto de ajudar os outros mesmo quando não consigo ajudar a mim mesma. Por isso, nos últimos anos, perdi muita coisa neste sentido. Tenho 30 anos e não tenho nada que seja meu. Não tenho casa, terreno, carro. Nada. Mas eu tenho muita sorte. Muita mesmo. Sempre que tenho medo, vem alguém e me salva. Mesmo que esse alguém seja eu mesma. Daí eu vejo que as coisas sempre estão melhores do que eu tinha visto. Me deixa feliz saber que agora estou mais perto das pessoas que eu amo e que estão do meu lado SEMPRE. Aconteça o que acontecer. Não tenho casa com piscina, lareira, carro pra dar carona, dinheiro sobrando pra pagar baladinhas pros amigos. Mas, mesmo assim, algumas pessoas estão sempre comigo. A gente marca na conta. Posso contar com você. Na nossa conta, eu te devo muito. Material e espiritualmente. Eu sei. E como. Preciso aprender a agradecer de todas as formas que você merece. Obrigada por ser meu. Por ser perfeito pra mim. Quero ser assim também, tudo o que você quer. Perfeita pra você, no meio de toda a minha imperfeição. No meio de toda a minha confusão e dos meus erros. Sei que me importo com bobagens. Sei que tenho medos injustificáveis. Instabilidades e TPMs insuportáveis. Mas perco o ar cada vez que você fala da “nossa” casa. Do quarto a mais que teremos que ter. Que você não se importa com o fato de que eu não posso ajudar em muitas coisas. E que eu estar aqui é o que importa. Eu estou, aqui, sempre. E você? Será que existe mesmo?
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