quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

...auto-retrato...

...Não sou pra todo mundo.
Sou criança. Vivo tendo pesadelos e não durmo depois de filmes de terror. Sou chata e falo demais. Também falo palavrão e muitas vezes falo quando deveria ficar quieta e fico quieta quando deveria falar. Fico magoada muito fácil, mas não conto pra ninguém. Sou orgulhosa. Quando fico nervosa fico gaga. Sou desligada. Estabanada. Não sei dançar e nem mergulhar sem tapar o nariz. Sou preguiçosa e bagunceira. Meio folgada, mas sem intenção. Sou complicada e vivo cheia de minhocas na cabeça. Assisto programas de fofoca na TV e nem tenho vergonha disso. Acho que a vida precisa de um pouco de futilidade de vez em quando. A minha vida, pelo menos, precisa.
Não acho super importante ir à manicure, e minhas mãos às vezes parecem de menino. Pior, quando fico nervosa rôo tudo. Meu rosto não é perfeito, meu cabelo também não. Vivo com ele preso por que cabelo comprido me irrita. Às vezes reclamo do meu corpo, mas continuo sem pisar na academia. Sou super branquela (tá bom, transparente) e detesto ficar torrando no sol pra ter marquinha de biquíni. Tenho calos no pé (mas só no direito). Sou míope e quase nunca estou de óculos.
Choro muito. Mas não sei chorar bonito, enxugando cada lagriminha. Eu choro de verdade, fico fanha, com olheiras, rosto inchado, o nariz vermelho e escorrendo. Aliás, não gosto de gente que tem medo de chorar. Que não consegue abraçar apertado e nem gargalhar bem alto. Não gosto de pessoas que me cumprimentam sem me conhecer, muito menos daquelas que pensam que me conhecem. Desconfio de pessoas que não olham nos olhos ou que conseguem mentir olhando pra eles. Também não dá pra confiar em quem não gosta de crianças e de animais.
Odeio barraco, mas algumas vezes as coisas que eu sinto não cabem dentro de mim. E eu extrapolo. Em público mesmo. Passo de louca algumas vezes, mas dificilmente engulo meus sentimentos. Não entendo de muita coisa. Acho que sentir é muito melhor do que entender. E eu preciso. Preciso sentir. Não sei amar pela metade. Acredito que o amor é a forma mais linda de perder o medo. Mas agora, acho que roubaram minha coragem.
Não aceito injustiça. Odeio gente que tenta passar por cima dos outros. De mim ou de alguém de quem eu gosto. Às vezes demoro pra perceber. Às vezes erro. Mas quando percebo, boto a boca no trombone mesmo. E nem ligo se sobrar pra mim depois. Mas também posso dizer que sou generosa e sei ser amiga. Também posso ser uma boa companhia pra qualquer programa. Sem muitas frescuras. Não importa o lugar. Prefiro um boteco com pessoas que valham a pena do que uma super festa regada a champanhe.
Gosto de gente. Gente de verdade, transparente.. Gente que perdoa seus defeitos e o fato de estar bem longe da perfeição. Como eu. E quem me quer, ou me quis, me conheceu assim. E sabe que eu vou morrer assim. Ainda bem, por que ser perfeita deve ser um saco.

2 comentários:

revasc disse...

Por tudo que li, achei que você é perfeita assim, como é. E eu sou muito mais a favor de gente que grita, chora, ri e gargalha, e que mostra os sentimentos, do que quem fica com a mesma expressão e a mesma postura e que parece não ter sentimentos.
Você é ótima.
Beijos!
Renata
http://bruxadeblu.zip.net

Thais França disse...

Ser perfeita deve ser insuportável!!!!
legal aqui, vou linkar no meu...
Natal aí, Ano Novo viajando... e vc?
bjos!